Cães Aprendem Palavras Como Bebês, Revela Estudo Inovador
Boa notícia para os “pais de pet” que consideram seus cães como filhos: um estudo recente indica que a forma como cães e bebês aprendem linguagem apresenta semelhanças notáveis.
A maioria dos cães consegue entender palavras-chave associadas a rotinas, como “comida” ou “passear”, devido à repetição e ao contexto. No entanto, alguns animais demonstram um “vocabulário incomum”, compreendendo nomes de objetos e até mesmo conceitos abstratos.
Esses cães “superdotados” podem aprender novas palavras apenas ouvindo conversas humanas, de maneira análoga a bebês de aproximadamente 1 ano e meio de idade. A pesquisa, publicada na revista Science, analisou cães conhecidos como “Gifted Word Learner dogs”, capazes de aprender dezenas de rótulos verbais sem treinamento formal.
Habilidades Cognitivas Caninas em Destaque
Conforme os pesquisadores, esses cães conseguiram associar novos nomes a objetos simplesmente observando interações entre humanos, sem receber instruções diretas. Esse desempenho foi comparável, e em alguns casos superior, ao de crianças de 18 meses, idade em que a capacidade de aprender palavras por observação de diálogos já é comprovada.
O estudo húngaro sugere que esses cães possuem habilidades sociocognitivas que são funcionalmente paralelas às de crianças de 18 meses. A capacidade de formar associações entre palavras e objetos, mesmo quando não apresentados simultaneamente, foi um dos achados mais surpreendentes.
Memória e Aprendizado em Cães
Os animais com essa habilidade demonstraram reter a memória dessas associações por pelo menos duas semanas. Em contrapartida, cães “típicos”, sem histórico de vocabulário extenso, não apresentaram aprendizado consistente, indicando que essa capacidade é rara e não representa a população canina em geral.
A pesquisa levanta a hipótese de que alguns mecanismos cognitivos associados à linguagem podem não ser exclusivos da espécie humana. Embora a linguagem complexa seja uma característica humana, processos como atenção compartilhada e leitura de intenções podem ter raízes evolutivas mais antigas.
Novas Perspectivas Sobre a Cognição Canina
Os resultados reforçam a ideia de que os processos sociocognitivos que permitem a aprendizagem de palavras a partir de conversas ouvidas podem ter bases evolutivas compartilhadas. Isso abre novas pistas sobre as origens da cognição relacionada à linguagem.
O estudo, divulgado na revista Science, abre um fascinante campo de estudo sobre a mente canina e suas conexões com o desenvolvimento humano, mostrando que a comunicação e a compreensão entre espécies podem ser mais profundas do que imaginávamos.
A Linguagem é Exclusividade Humana?
Para os cientistas envolvidos na pesquisa, os achados questionam a exclusividade humana em relação a certos processos cognitivos fundamentais para a linguagem. A capacidade de aprender e associar palavras, mesmo sem instrução direta, sugere uma base mais antiga para essas habilidades.
O “vocabulário incomum” em alguns cães, como a habilidade de buscar uma “cerveja” na geladeira ao ouvir a palavra, exemplifica essa conexão mente-palavra. Esse nível de abstração e associação é um indicativo de que a cognição canina é mais complexa do que se pensava.









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