Cão comunitário 'Orelha' ferido na Praia Brava, Florianópolis

Adolescentes investigados por maus-tratos e danos na Praia Brava

Um grupo de quatro adolescentes está sob investigação da Polícia Civil de Santa Catarina em relação a uma série de atos infracionais cometidos na Praia Brava, em Florianópolis. O caso ganhou notoriedade nacional após as agressões que resultaram na morte do cão comunitário conhecido como “Orelha”. O animal, que era cuidado por moradores locais há aproximadamente uma década, foi vítima de uma sessão de tortura que chocou a comunidade. As apurações policiais indicam que a conduta dos jovens vai além do crime de maus-tratos, englobando também danos ao patrimônio e crimes contra a honra.

As investigações buscam detalhar a participação de cada um dos jovens nos incidentes. Relatórios policiais apontam que o grupo não apenas agrediu Orelha de forma cruel, levando o animal a precisar de eutanásia devido à gravidade dos ferimentos, mas também tentou afogar um segundo cachorro, chamado Caramelo, que conseguiu escapar. Além dos atos contra os animais, os adolescentes são suspeitos de praticar atos análogos à depredação de patrimônio e crimes contra a honra contra profissionais que atuam na região. O delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel, enfatizou que o foco agora é a individualização das condutas de cada adolescente envolvido, para que as responsabilidades sejam devidamente apuradas.

Expansão das investigações e novas infrações

A Delegacia Especializada está ampliando o escopo das investigações para abranger todas as infrações cometidas pelo grupo. Para além das agressões ao cão Orelha e da tentativa de afogamento contra Caramelo, as apurações incluem a análise de possíveis danos ao patrimônio público e privado na área da Praia Brava, bem como ofensas contra a honra de pessoas que trabalham ou frequentam a região. Essa expansão visa a construir um quadro completo da atuação dos adolescentes, conforme relatado em CNN Brasil.

Procedimentos legais e o papel do Estatuto da Criança e do Adolescente

Por envolver suspeitos com idade entre 12 e 18 anos incompletos, o caso é tratado sob as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não pelo Código Penal comum. Essa particularidade legal implica em procedimentos específicos para a apuração e eventual responsabilização dos menores. Caso as autorias dos atos infracionais sejam confirmadas, o relatório final da investigação será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei. A legislação brasileira prevê que a medida socioeducativa de internação, a mais severa prevista no ECA, possui um prazo máximo de três anos. Essa abordagem busca equilibrar a necessidade de responsabilização com o foco na reeducação e no desenvolvimento dos jovens.

Coação de testemunhas e apreensão de provas

Durante a operação policial para apurar os fatos, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências dos adolescentes investigados. Essa ação resultou na apreensão de computadores e telefones celulares, que serão submetidos a perícia técnica. O objetivo é analisar o conteúdo desses dispositivos em busca de evidências que corroborem as suspeitas e auxiliem na individualização das condutas. É importante notar que dois dos adolescentes envolvidos estavam em viagem pré-programada aos Estados Unidos no momento da operação e têm previsão de retorno ao Brasil na próxima semana, o que pode impactar o andamento das oitivas. Paralelamente, a investigação também apura a coação de testemunhas. Três adultos foram indiciados sob a acusação de utilizar violência ou grave ameaça para influenciar o curso do inquérito e favorecer o interesse dos jovens. A polícia chegou a buscar uma possível arma de fogo que teria sido usada nas ameaças, mas o objeto não foi localizado até o momento.

Este caso levanta discussões importantes sobre responsabilidade, violência e o papel da comunidade na proteção de animais e no bem-estar social. A investigação em andamento busca garantir que os responsáveis sejam devidamente apurados e que medidas adequadas sejam tomadas, respeitando as especificidades do ECA e a necessidade de justiça para todos os envolvidos.

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