medo e alterações comportamentais em cães tratadas com cannabis após falha de métodos convencionais
A história da cachorrinha Cruella, de cinco anos, ilustra os desafios enfrentados por tutores diante de mudanças comportamentais em seus pets. Cruella apresentou agressividade e medo intenso de barulhos altos, situações que levaram sua tutora, a médica-veterinária Aline Marques Lourencini, a buscar novas abordagens terapêuticas após tentativas frustradas com tratamentos tradicionais.
Os primeiros sinais de alteração comportamental em Cruella surgiram após o cio, por volta dos dois anos de idade. Segundo Aline, a cachorrinha tornou-se mais reativa a pessoas e sons altos, um quadro possivelmente agravado por manejo inadequado, como o contato físico inesperado de estranhos. Inicialmente, o tratamento envolveu ajustes ambientais e comportamentais, com acompanhamento profissional, que trouxeram melhora parcial.
No entanto, após um ano de tratamento convencional, Cruella desenvolveu apatia, perdendo sua energia e vivacidade habitual. Interrupções e novas tentativas com florais, homeopatia e fitoterápicos como passiflora não apresentaram os resultados esperados. Uma nova prescrição medicamentosa no final do ano passado resultou em efeitos adversos, como incontinência urinária e aumento do medo.
Entusiasta da medicina integrativa, Aline buscou informações sobre o uso da cannabis em animais. Após concluir um curso de prescrição de cannabis veterinária, iniciou o tratamento de Cruella em janeiro com um produto manipulado, com o protocolo sendo ajustado com auxílio de um colega veterinário da área integrativa.
Os resultados foram perceptíveis rapidamente. Em poucos dias, episódios de pânico diante de chuva e fogos, que antes causavam hiperventilação e desorientação, foram minimizados. Cruella passou a responder ao chamado e a apresentar comportamentos mais naturais durante os passeios, que haviam se tornado difíceis devido à sua apreensão a ruídos externos.
A tutora relata que a agressividade de Cruella também diminuiu consistentemente. O tratamento com cannabis permitiu que a cachorrinha recuperasse sua vivacidade e diminuísse o medo, resultando em uma melhora geral na sua qualidade de vida. Aline Marques Lourencini destaca que o principal objetivo foi preservar a essência brincalhona e ativa de Cruella, sem sofrimento, o que a cannabis tem proporcionado.
A experiência de Cruella reflete um movimento crescente na medicina veterinária integrativa, com a cannabis sendo cada vez mais utilizada como alternativa terapêutica. O foco está na redução de efeitos colaterais de medicamentos convencionais e na melhoria da qualidade de vida dos animais, como demonstrado no caso de Cruella, que voltou a expressar seus comportamentos naturais.








