Autismo em pets é mito ou realidade ciência não comprova, mas tutores questionam comportamentos
A ideia de que cães e gatos possam ter autismo tem ganhado força na internet, com buscas por termos como “cachorro tem autismo” e “gato autista” crescendo. Comportamentos como isolamento, movimentos repetitivos e aparente desconexão com o ambiente levam tutores a questionar essa possibilidade. No entanto, a comunidade científica e veterinária não reconhece o espectro autista em animais.
O médico veterinário Rafael Rodrigues dos Santos Prudêncio, especialista em medicina felina, explica que, embora o uso do termo “autismo” seja comum no cotidiano, ele não tem embasamento na medicina veterinária. A abordagem profissional foca em investigar as causas por trás de tais comportamentos.
“O termo acaba sendo usado de forma popular, mas, na medicina veterinária, buscamos entender se há ansiedade, distúrbios comportamentais, dor ou alterações neurológicas por trás daquele comportamento”, esclarece Prudêncio.
Os sinais frequentemente associados ao “autismo” em pets incluem isolamento social, aversão ao toque, a repetição de ações como girar em círculos ou lamber as patas excessivamente, e uma aparente falta de interação com o entorno. Segundo o veterinário, essas manifestações, longe de indicar autismo, demandam uma avaliação clínica detalhada.
Muitas vezes, esses comportamentos estão ligados ao envelhecimento dos animais. Prudêncio menciona que “a maioria desses casos ocorre em cães e gatos idosos”, que podem apresentar alterações cognitivas ou neurológicas. Sintomas como inversão do ciclo dia/noite, desorientação espacial, vocalizações excessivas similares a choro e olhar fixo para o nada são comuns nessas situações.
O profissional enfatiza a importância de não rotular os animais e de buscar ajuda veterinária para investigar a origem desses comportamentos. Ele sugere que “esses comportamentos pedem avaliação veterinária, investigação de dor ou doença e ajuste de rotina e comportamento”.
Fatores como ansiedade, falta de estímulos adequados, manejo incorreto, dores crônicas e doenças metabólicas ou neurológicas são explicações mais prováveis para as mudanças comportamentais observadas. Intervenções como alterações na rotina, enriquecimento ambiental, acompanhamento comportamental e, em alguns casos, medicação, costumam ser eficazes para a melhora do bem-estar do animal.
A recomendação para os tutores é clara: ao notar qualquer alteração no comportamento do pet, é fundamental procurar um veterinário. A identificação precoce da causa real aumenta as chances de tratamento e de garantir a qualidade de vida do animal. Prudêncio ressalta que em gatos, que são naturalmente mais reservados em demonstrar desconforto, a atenção deve ser redobrada, pois quando os sinais se tornam aparentes, a debilitação, especialmente por dor, já pode ser significativa.







