Um gesto trivial pós-passeio pode ser a diferença entre a vida e a morte do seu cão, prevenindo a Doença de Lyme transmitida por carrapatos
O medo dos carrapatos não é infundado, pois eles representam um risco real, silencioso e frequentemente subestimado para os cães. Mesmo em dias frios com breves períodos de aquecimento, esses aracnídeos permanecem ativos e buscam hospedeiros. A saliva que eles liberam durante a picada possui propriedades anestésicas, tornando o ato praticamente indolor. No entanto, o perigo aumenta à medida que o parasita se mantém fixado ao animal, abrindo caminho para a bactéria Borrelia burgdorferi, agente causador da Doença de Lyme, adentrar o organismo canino.
Com invernos cada vez mais brandos, os carrapatos não hibernam completamente entre os meses de novembro e março. Eles aguardam em gramíneas, arbustos e áreas verdes urbanas, prontos para se fixar em qualquer animal que passe por perto. Esses parasitas não saltam nem voam; sua estratégia é esperar passivamente pelo contato para iniciar sua refeição de sangue. O risco principal não reside na picada em si, mas na possível transmissão de patógenos durante o período em que o carrapato permanece alimentando-se. A probabilidade de contágio pela bactéria Borrelia aumenta significativamente após 24 a 48 horas de fixação contínua.
Nesse intervalo, entre o retorno para casa e o período crítico de transmissão, existe uma janela de oportunidade crucial para a prevenção que muitos tutores ainda negligenciam. O ato mais eficaz e frequentemente esquecido é a inspeção minuciosa do pelo do animal ao chegar de qualquer passeio. Transformar esse momento em uma verificação detalhada é mais do que um gesto de carinho; é uma medida preventiva vital.
A inspeção manual permite identificar pequenas protuberâncias firmes sob a pele, enquanto a observação visual confirma a presença de carrapatos. Certas áreas do corpo dos cães são mais propensas à fixação desses parasitas, independentemente do tamanho ou tipo de pelagem, devido à combinação de pele fina, calor e umidade.
- Interior e dorso das orelhas, e a região do pescoço sob a coleira.
- Áreas das axilas e as pregas na virilha.
- Entre os dedos e ao redor das almofadas plantares.
- Base e parte inferior da cauda, incluindo a região anal.
- Linha dos lábios e pálpebras, onde a pele é mais delicada.
Ao detectar um carrapato, a remoção com um instrumento adequado, como um tira-carrapatos, minimiza o risco de regurgitação de patógenos. Essa ferramenta permite que o parasita seja removido sem esmagar seu corpo. O uso de álcool, óleo ou pinças comuns pode estressar o carrapato, elevando a chance de transmissão de doenças. Após a remoção, é recomendável limpar a área com um antisséptico suave e manter o cão sob observação.
Em casos de Doença de Lyme, os cães podem apresentar dor articular manifestada por manque intermitente, que pode migrar entre as pernas. Outros sinais incluem febre, apatia, perda de apetite e inchaço dos gânglios linfáticos, exigindo avaliação veterinária rápida. O diagnóstico precoce e o tratamento, geralmente com antibióticos de longo curso, são essenciais para reduzir o desconforto, prevenir complicações e evitar recidivas, restaurando a qualidade de vida do animal.
A prevenção contínua envolve a combinação de antiparasitários (tópicos, coleiras ou orais), inspeção manual regular e vigilância de sintomas. Manter o calendário de vacinação e desparasitação em dia, juntamente com a manutenção de ambientes limpos e gramados aparados, contribui para diminuir os encontros com carrapatos. Um pente fino após o passeio pode ajudar a detectar sujeira e pequenas anomalias que facilitam a fixação do parasita.
Em suma, o gesto de verificar o cão após cada passeio, realizado com constância e em boa iluminação, pode levar menos de três minutos e é suficiente para interromper o ciclo de transmissão da bactéria, salvando potencialmente a vida do seu animal de estimação.








