Pequinês com focinho achatado exibindo desconforto respiratório

Cientistas alertam que a aparência braquicefálica em cães pode levar a graves dificuldades respiratórias e sofrimento crônico ao longo da vida

Pesquisadores da Universidade de Cambridge identificaram 15 raças de cães com alto risco de desenvolver a síndrome obstrutiva das vias aéreas braquicefálica (BOAS), uma condição que afeta severamente a respiração e a qualidade de vida. O formato craniano curto, conhecido como braquicefalia, popularmente associado a um visual “fofo” e “mastigado”, pode resultar em asfixia e respiração comprometida para toda a vida dos animais.

A pesquisa, publicada na revista PLoS Um, expande o foco para além das raças mais conhecidas como buldogues, buldogues franceses e pugs, incluindo mais 12 raças que agora demonstram vulnerabilidade a problemas respiratórios graves. O estudo mediu crânios, narizes, corpos e pescoços de quase 900 cães de 14 raças distintas, além de testar sinais de BOAS após exercícios.

O co-autor principal, Dr. Fran Tomlinson, destacou a gravidade da condição. “O BOAS existe em um espectro. Alguns cães são apenas ligeiramente afetados, mas para aqueles que acabam sendo mais graves, pode reduzir significativamente a qualidade de vida e tornar-se um sério problema de bem-estar.” Sintomas comuns da BOAS incluem ronco alto, engasgos, intolerância ao calor e ao exercício, e até vômitos.

Entre as raças com maior risco de BOAS estão o Pequinês e o Chinês Japonês, ambos apresentando taxas alarmantes. O estudo também classificou o King Charles Spaniel, Shih Tzu, Griffon Bruxellois, Boston Terrier e Dogue de Bordeaux em risco moderado, enquanto Staffordshire Bull Terriers, Cavalier King Charles Spaniels, Chihuahuas, Boxers e Affenpinschers correm risco leve. As raças Pomerânia e Maltês foram as únicas que não apresentaram alterações clínicas significativas relacionadas à BOAS entre as analisadas.

A doutora Jane Ladlow, que co-liderou o estudo, enfatizou a importância da conscientização. “Estar ciente dos fatores de risco pode ser útil tanto para criadores quanto para potenciais proprietários na seleção de cães com menor probabilidade de serem afetados pelo BOAS.” A especialista sugere que o conhecimento desses fatores pode auxiliar juízes em exposições a identificar características prejudiciais à saúde, evitando que sejam recompensadas em cães reprodutores.

A avaliação respiratória é considerada a maneira mais precisa de determinar o risco de BOAS, orientando a seleção para reprodução e intervenções veterinárias. Em casos extremos, a BOAS pode ser fatal. Paralelamente, abrigos de animais relatam um aumento de 500% nos abandonos de cães com “conformação extrema” desde 2017, com animais sofrendo dor constante que nem intervenções médicas conseguem aliviar.

Especialistas em bem-estar animal também alertam contra outras características físicas extremas, muitas vezes impulsionadas por tendências de mídia social, como dobras de pele excessivas, olhos arregalados, sobremordida e pernas muito curtas. Essas características podem impedir o animal de viver plenamente como um cachorro, levando a um sofrimento significativo.

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