Pequinês com dificuldade para respirar em consulta veterinária.

Novo estudo aponta severas dificuldades respiratórias em diversas raças de cães, indo além dos pugs e buldogues, exigindo atenção veterinária individualizada.

Uma pesquisa publicada na revista PLOS-ONE revelou que diversas raças de cães com focinho achatado enfrentam um alto risco de desenvolver a síndrome obstrutiva das vias aéreas braquicefálicas (BOAS). O estudo, que analisou dados de 898 cães de 14 raças braquicefálicas no Reino Unido, identificou que pequinês e queixudos japoneses apresentam taxas de BOAS comparáveis às de buldogues, desafiando a percepção de que o problema se restringe a pugs.

Cães braquicefálicos são caracterizados por seus crânios achatados, uma condição associada à obstrução crônica das vias aéreas. Esta síndrome se manifesta através de sintomas como respiração ofegante, ronco e fadiga rápida. A investigação buscou dar maior atenção à prevalência e aos fatores de risco do BOAS em raças menos estudadas, além das populares como Pugs e Bulldogs Franceses.

As descobertas indicam que os pequinês apresentaram algum grau de BOAS em cerca de 90% dos casos examinados, enquanto os queixudos japoneses registraram aproximadamente 83%. Outras raças também demonstraram incidências significativas, com King Charles Spaniel, Shih Tzu e Boston Terrier apresentando entre 50% e 75% de casos. Cavalier King Charles Spaniel, Lulu da Pomerânia, Boxer e Chihuahua tiveram taxas entre 25% e 50%.

“Continua sensato avaliar até que ponto as raças braquicefálicas são afetadas por problemas de saúde de sua raça individual”, destacam os pesquisadores no artigo publicado.

Os cientistas identificaram fatores de risco que geralmente aumentam a probabilidade de desenvolver BOAS, como faces extremamente achatadas e narinas estreitas (estenose nasal). Contudo, o estudo ressalta que nem todas as raças sofrem igualmente, e os fatores de risco podem variar. Por exemplo, raças com faces muito achatadas, como o King Charles Spaniel, apresentaram taxas de BOAS menores do que o esperado com base em seu formato craniano.

Heidi Phillips, clínica veterinária e cirurgiã da Universidade de Illinois, não afiliada ao estudo, comentou que as descobertas se alinham com a prática clínica, onde o grau de achatamento facial geralmente se correlaciona com a gravidade do BOAS. “Há raças que se comportam como discrepantes, tendo problemas únicos não vistos em outras raças braquicefálicas, ou sofrendo menos de problemas que a maioria das outras raças sofrem”, explicou Phillips.

Existem tratamentos disponíveis para aliviar os sintomas do BOAS, incluindo intervenções cirúrgicas. Esforços recentes têm se concentrado em aprimorar a criação de cães braquicefálicos para reduzir o risco de BOAS e outras condições. Os pesquisadores e Phillips defendem que esses esforços devem ser adaptados individualmente para cada raça.

Phillips acrescentou que uma abordagem individualizada para identificar e tratar a patologia em cada animal é crucial para o sucesso. “Para defender adequadamente as melhores práticas na criação, veterinários, cientistas e criadores devem trabalhar juntos para identificar quais fatores predispõem cada raça e indivíduo dentro de uma raça a exibir um conjunto ou subconjunto específico de problemas”, disse.

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