Mudanças na rotina de férias elevam riscos de ganho de peso em pets; especialistas alertam para consequências à saúde e indicam manejo
O retorno à rotina após o período de férias frequentemente revela um acúmulo de peso indesejado em cães e gatos. A alteração nos hábitos alimentares e na frequência de atividades físicas durante esse período pode desencadear um processo que, muitas vezes, passa despercebido até as consultas de acompanhamento veterinário.
Segundo Carla Périssé, médica-veterinária com especialização em Dermatologia Veterinária, uma combinação de fatores contribui para o aumento da gordura corporal em animais de estimação durante as férias. O acréscimo na oferta de petiscos e restos de comida, somado à redução da atividade física, cria um desequilíbrio energético.
“Durante as férias, é comum o acréscimo da oferta de petiscos, restos de comida e alimentos fora da dieta habitual, muitas vezes, como forma de compensação emocional ou interação. Ao mesmo tempo, ocorre redução da atividade física, especialmente em cães, devido a viagens, mudanças nos passeios ou maior permanência dentro de casa”, explica Périssé.
Em felinos, a diminuição das brincadeiras e dos estímulos ambientais, além do excesso calórico, também contribui para um balanço energético positivo, favorecendo o acúmulo de tecido adiposo. Do ponto de vista metabólico, esse consumo energético acima da demanda pode comprometer a sensibilidade à insulina, aumentar processos inflamatórios e gerar sobrecarga hepática, especialmente com a ingestão de alimentos inadequados.
Identificando o ganho de peso e a obesidade
A diferenciação entre um ganho de peso pontual e o início de um quadro de obesidade exige análise criteriosa. Conforme comenta Carla Périssé, o ganho pontual é discreto e reversível com ajustes simples na rotina. Já a obesidade se manifesta por elevação progressiva da massa corporal, com acúmulo de gordura em regiões específicas.
“A comparação com registros anteriores e a análise do histórico alimentar recente são fundamentais nesse processo”, ressalta a veterinária.
Sinais clínicos de alerta incluem dificuldade de palpação das costelas, perda da cintura abdominal e aumento do volume corporal. A redução da disposição para atividades físicas, intolerância ao exercício, leve dificuldade respiratória e alterações no sono também podem indicar a necessidade de intervenção precoce.
Manejo nutricional e orientação familiar são cruciais no pós-férias
O retorno à normalidade exige um plano alimentar gradual. Restrições abruptas podem causar estresse, perda de massa muscular e distúrbios gastrointestinais. O ideal é readequar a dieta às necessidades energéticas reais do animal, ajustando porções, horários e qualidade do alimento.
“A orientação da família é central na prevenção e no manejo do excesso de massa. É fundamental que o responsável compreenda que o alimento não deve ser a principal forma de afeto e que concessões frequentes têm impacto cumulativo na saúde do animal”, cita a veterinária.
O período pós-férias pode ser transformado em oportunidade para reorganizar rotinas, ampliar a prática de atividades físicas e estabelecer hábitos sustentáveis, visando a saúde e o bem-estar dos pets.







