Médico sorrindo brincando com seu cachorro vizsla em um parque

Ter um cachorro faz viver mais? Médico conta experiência e explica por que isso realmente acontece

Descubra se ter um cachorro realmente aumenta a longevidade. Médico compartilha sua experiência e a ciência por trás dos benefícios para a saúde.

Ter um cachorro faz viver mais? Médico conta a própria experiência e explica por que isso realmente acontece

A ideia de que ter um cachorro pode prolongar a vida ganha força com relatos pessoais e estudos científicos. O cardiologista e economista da saúde Dhruv Kazi, que adotou seu primeiro cão aos 40 anos, compartilha como seu pet, Rumi, um vizsla, o ajudou a superar um período de isolamento durante a pandemia de Covid-19. A companhia de Rumi o incentivou a passar mais tempo ao ar livre, interagir com vizinhos e trouxe uma dose essencial de “energia positiva” e “alegria” para sua rotina.

“Ele foi fundamental para manter minha sanidade”, afirma Kazi. Esta experiência pessoal ecoa descobertas de décadas que associam a posse de animais de estimação, especialmente cães, a uma saúde melhor. Estudos indicam que donos de cães podem ter pressão arterial mais baixa, menor risco de doenças cardiovasculares e taxas de mortalidade reduzidas após eventos como ataque cardíaco ou AVC.

Benefícios comprovados para a saúde

Pesquisas robustas têm apontado para os impactos positivos da convivência com cães. Uma revisão abrangente de estudos, publicada em 2019, revelou que possuir um cachorro está associado a um risco 24% menor de morte por todas as causas em um período de 10 anos. A relevância para a saúde cardiovascular é tão significativa que a Associação Americana do Coração (American Heart Association) emitiu um comunicado científico sugerindo que ter um cachorro “pode ser razoável para reduzir o risco de doenças cardiovasculares”.

A ciência por trás da longevidade canina

Mas a relação é realmente causal? O cardiologista Dhruv Kazi levanta essa questão, enquanto explora as possíveis explicações. Uma das teorias mais fortes é o aumento da atividade física. Especialistas como Adrian Bauman, professor emérito de saúde pública da Universidade de Sydney, observaram que donos de cães, em geral, tendem a ser mais ativos. Sua meta-análise de 2012 indicou que a maioria dos donos que passeavam com seus cães cumpriam as diretrizes de exercício físico recomendadas.

No entanto, Bauman ressalta a importância de diferenciar ter um cão de realmente passear com ele. “Precisamos distinguir entre ser dono de um cachorro, ter um cachorro em casa, e passear com o cachorro”, pontua. Estudos também mostraram que a diferença no risco de mortalidade desaparece quando donos de cães e não donos mantêm níveis de atividade física semelhantes.

Compartilhando hábitos e bem-estar mental

Outras pesquisas sugerem que os hábitos de saúde podem ser compartilhados entre donos e seus pets. Tove Fall, professora de epidemiologia molecular na Universidade de Uppsala e ex-veterinária, conduziu estudos que indicam que cães com diabetes tipo 2 têm donos com maior probabilidade de desenvolver a doença. “Você compartilha o ambiente da sua casa com o seu cachorro. Então, se você não está levando um estilo de vida saudável, talvez o seu cachorro também não esteja”, afirma Fall.

“Ter um cachorro realmente traz benefícios substanciais para a saúde, combatendo as consequências da solidão e do isolamento”, diz Bauman.

A companhia oferecida pelos cães também é crucial para o bem-estar mental, especialmente para pessoas solteiras ou que moram sozinhas. A interação social e o afeto proporcionados pelos animais de estimação ajudam a combater os efeitos negativos da solidão e do isolamento, contribuindo para uma vida mais longa e saudável.

Fatores demográficos e outras considerações

É importante notar que fatores demográficos também podem influenciar esses resultados. Donos de cães, em média, tendem a ser mais jovens e com maior poder aquisitivo, características que por si só estão associadas a uma melhor saúde. Uma análise estatística que controla variáveis como idade, renda e hábitos como o tabagismo mostrou que muitos dos benefícios à saúde associados à posse de cães diminuem significativamente.

Tove Fall destaca essa complexidade: “É difícil distinguir se os cães tornam as pessoas mais saudáveis ou se pessoas mais saudáveis têm maior probabilidade de ter cães. Se você é muito frágil e não consegue cuidar de si mesmo, é bem improvável que adote um filhote, certo?”

Apesar dos desafios inerentes, como treinamento, custos veterinários e a dor da perda, a alegria e o companheirismo oferecidos pelos cães são inestimáveis. Conforme Kazi conclui: “Dão muito trabalho e exigem um comprometimento considerável de recursos emocionais e financeiros, mas são uma alegria imensa”.

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