Homem passeando com seu cachorro vizsla em um parque, sorrindo e demonstrando interação ativa.

Estudos sugerem que animais de estimação mantêm seus donos mais saudáveis

Pesquisas indicam que ter um animal de estimação, especialmente um cachorro, está associado a uma vida mais longa e saudável, com benefícios cardiovasculares e mentais.

A ideia de que animais de estimação são mais do que simples companheiros tem ganhado força com evidências científicas. Estudos recentes e análises de décadas de pesquisa sugerem que a presença de um bichinho em casa pode ser um fator significativo para a melhoria da saúde física e mental de seus donos. Essa correlação é tão expressiva que a American Heart Association reconhece a posse de cachorros como um possível redutor do risco de doenças cardiovasculares.

De acordo com uma matéria publicada na Folha de S.Paulo, baseada em informações do The New York Times em março de 2026, ter um animal, sobretudo um cachorro, está ligado a benefícios como pressão arterial mais baixa e menor risco de mortalidade. Essa descoberta lança luz sobre como a interação com pets pode se traduzir em uma vida mais longa e com melhor qualidade.

Mais do que companhia: os benefícios para a saúde

A experiência pessoal do cardiologista e economista da saúde Dhruv Kazi ilustra bem essa relação. Após se mudar para Boston em 2019 e enfrentar o isolamento da pandemia, Kazi adotou Rumi, um filhote de vizsla. Ele conta que Rumi foi “absolutamente crucial para manter minha sanidade mental”, proporcionando mais tempo ao ar livre, novas interações sociais e uma dose vital de “energia positiva” e “diversão”.

A ciência corrobora essa percepção. Pesquisas que se estendem por décadas mostram que pessoas com animais de estimação, especialmente cachorros, tendem a ser mais saudáveis. Esses estudos apontam para uma pressão arterial mais baixa, um risco reduzido de doenças cardiovasculares e menores taxas de morte após eventos como infarto ou AVC.

Uma revisão abrangente de estudos, publicada em 2019, revelou que ter um cachorro estava associado a um risco 24% menor de morrer por qualquer causa ao longo de uma década. Diante desses dados, a American Heart Association possui uma declaração científica que considera a posse de um cachorro como um fator razoável para a redução do risco de doenças cardiovasculares, embora não aconselhe a adoção com esse único propósito.

“Donos de animais de estimação em geral, mas donos de cachorros em particular, têm vidas mais longas e saudáveis do que pessoas que não têm animais”, afirma Kazi. “A correlação é muito convincente. Agora a questão é: essa relação é causal?”

Por que essa relação existe? teorias e nuances

Atividade física e bem-estar mental

Especialistas propõem algumas explicações para os benefícios de saúde observados. Uma das teorias mais aceitas é que os donos de cachorros tendem a ser mais fisicamente ativos. Adrian Bauman, professor de saúde pública da Universidade de Sydney, na Austrália, publicou uma meta-análise em 2012 que indicou que a maioria dos donos que passeavam com seus cães atingia a meta de 150 minutos de atividade física moderadamente intensa por semana. No entanto, ele ressalta que apenas 60% dos donos realmente levavam seus cães para passear, e em outro estudo, não houve diferença no risco de mortalidade quando donos e não donos eram igualmente ativos.

Além dos exercícios, os animais de estimação, especialmente os cachorros, contribuem significativamente para o bem-estar mental. A companhia oferecida por um pet pode combater os efeitos da solidão e do isolamento, sendo particularmente benéfica para pessoas que vivem sozinhas. Bauman destaca que ter um cachorro “realmente traz alguns benefícios substanciais à saúde ao combater as consequências da solidão, do isolamento”.

Para os amantes de gatos, a boa notícia é que alguns estudos também sugerem que ter um felino está associado a um menor risco de morrer de infarto ou AVC, possivelmente devido ao alívio do estresse que eles podem proporcionar.

Fatores demográficos e o dilema da causalidade

Apesar dos dados promissores, é crucial analisar a complexidade da relação entre pets e saúde. A professora Tove Fall, epidemiologista molecular na Universidade de Uppsala, Suécia, aponta que o ambiente doméstico compartilhado pode influenciar tanto o dono quanto o animal. Ela conduziu pesquisas mostrando que, se um cachorro tem diabetes tipo 2, seu dono também tem maior probabilidade de desenvolvê-la, sugerindo que um estilo de vida não saudável pode ser compartilhado.

Outro ponto importante é o efeito demográfico. Donos de cachorros geralmente são mais jovens e com maior poder aquisitivo, características que por si só se correlacionam com uma melhor saúde. Em uma meta-análise, muitos dos benefícios de ter um cachorro diminuíram ou desapareceram quando fatores como idade, renda e hábitos (como tabagismo) foram considerados nas análises estatísticas.

A questão da causalidade, ou seja, se os animais de estimação realmente tornam as pessoas mais saudáveis ou se pessoas mais saudáveis tendem a ter animais, permanece um desafio. Fall comenta: “Se você está muito frágil e não consegue realmente cuidar de si mesmo, é bem improvável que vá adotar um filhote, certo?”.

Claro, ter um animal de estimação também pode adicionar estresse, com desafios como treinamento, despesas veterinárias e a dor da perda. No entanto, como Kazi observa, apesar de “muito trabalho” e um “compromisso substancial”, eles são, em última análise, “uma alegria tão grande”.

Em resumo, a ciência continua a desvendar a profunda conexão entre humanos e seus animais de estimação. Embora a complexidade da relação exija análises cuidadosas, a crescente evidência sugere fortemente que o carinho e a companhia de um pet podem, de fato, contribuir para uma vida mais longa e saudável. É uma troca benéfica que transcende a simples interação, promovendo um ciclo de bem-estar para ambos.

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