Idoso passeando com cachorro em parque, evidenciando os benefícios da companhia animal para a saúde.

Ter um cachorro pode ser um poderoso aliado na prevenção da demência, apontam descobertas científicas recentes

Um estudo epidemiológico robusto realizado no Japão, acompanhando mais de 11.000 idosos na cidade de Ota, em Tóquio, trouxe evidências significativas sobre os benefícios de ter um cão para a saúde cerebral. A pesquisa indica que a posse de cachorros pode funcionar como um fator de proteção contra o desenvolvimento de demência incapacitante, especialmente em fases avançadas da vida.

Os resultados do estudo, que classificou a demência pelo sistema de Seguro de Cuidados de Longo Prazo (LTCI) do Japão, revelaram um dado surpreendente: proprietários atuais de cães apresentaram uma redução de 40% no risco de demência incapacitante, definida como casos que exigem assistência médica confirmada para atividades diárias. Essa constatação é baseada em uma razão de chances (OR) de 0,60 (IC 95%: 0,37–0,977) quando comparados a indivíduos que nunca tiveram cães ou que foram antigos proprietários.

O “Efeito Cão” se distingue do “Efeito Gato” pela exigência de interação

Curiosamente, o mesmo estudo não observou um efeito protetor estatisticamente significativo em donos de gatos, que apresentaram uma razão de chances de 0,98. Essa diferença sugere que os benefícios associados aos cães vão além do afeto e suporte emocional. Os pesquisadores apontam que a natureza dos cães, que demandam passeios diários, interação social e uma rotina mais estruturada, parece ser o diferencial.

Ao contrário dos gatos, que geralmente oferecem uma companhia mais focada no ambiente doméstico, os cães incentivam ativamente seus donos a manterem um padrão de atividade física e exposição social. Essa necessidade intrínseca do animal em sair para passear e interagir é vista como um catalisador para um estilo de vida mais saudável e ativo.

Atividade física com o pet potencializa a proteção cerebral

A posse de um cachorro, por si só, não é o único fator determinante. A pesquisa destacou que a combinação entre ter o animal e praticar exercício físico regularmente potencializa a proteção contra a demência. Indivíduos que praticavam exercício com seus cães apresentaram uma redução de risco de 63% (OR 0,37, IC 95%: 0,20–0,68).

Em contrapartida, pessoas sem cães, mas com exercício regular, tiveram uma redução de risco de 31% (OR 0,69, IC 95%: 0,54–0,88). Já os donos de cães sedentários mostraram um risco semelhante ao grupo sem animais (OR 0,89, IC 95%: 0,36–2,03), evidenciando a importância crucial do movimento.

Cachorros atuam como facilitadores da vida social, combatendo o isolamento

O isolamento social é amplamente reconhecido como um fator de risco modificável para o declínio cognitivo. O estudo demonstrou que donos de cães com vida social ativa apresentaram uma redução de risco de 59% em comparação com pessoas isoladas que não possuíam o animal (OR 0,41, IC 95%: 0,23–0,73).

As caminhadas diárias com o pet facilitam microinterações sociais, como conversas com vizinhos e encontros em parques, contribuindo para a chamada reserva cognitiva. Além disso, caminhar com um cachorro é classificado como uma atividade física moderada (aproximadamente 3 METs), e donos de cães têm 2,5 vezes mais chances de atingir a recomendação semanal de 150 minutos de atividade física moderada.

Mesmo durante períodos de restrições, como na pandemia de COVID-19, muitos donos de cães conseguiram manter um nível de movimento e interação social graças à rotina estabelecida com seus pets. Assim, a ciência sugere que ter um cachorro contribui para a saúde cerebral, não de forma passiva, mas ao promover um estilo de vida mais ativo, social e estruturado.

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