Muitos tutores já observaram seus cães girando em círculos antes de se acomodar para um cochilo. Esse comportamento, que pode parecer peculiar, na verdade é um ritual ancestral com raízes profundas na evolução dos cães. Para entender o que significa quando seu cachorro gira em círculos antes de deitar e quando é hora de se preocupar, é preciso olhar para a herança genética e para as necessidades atuais desses animais.
Esse instinto de girar repetidamente antes de deitar é um legado deixado pelos ancestrais selvagens dos nossos pets. Em um tempo onde o conforto não era garantido por camas macias, o ato de circular o local escolhido servia a propósitos práticos essenciais para a sobrevivência. A estratégia combinava a busca por um local mais agradável com uma medida de segurança crucial, especialmente em 2026, onde a atenção aos detalhes do bem-estar animal nunca foi tão alta.
Herança genética: segurança e conforto térmico
O giro do cão antes de deitar tem uma função primordial ligada à preparação do ambiente. Para os antepassados caninos, o solo, seja ele grama alta, arbustos ou neve, não era exatamente um leito confortável. Ao girar sobre a área selecionada, o cão conseguia achatar a vegetação ou a neve, criando assim uma superfície mais lisa e acolhedora para o descanso. Essa ação, embora possa parecer uma simples coreografia, é na verdade uma engenharia natural voltada para o conforto imediato do animal.
Além de moldar o local para um repouso mais agradável, esse movimento antigo também funcionava como uma inspeção de segurança rigorosa. Conforme apontam estudos do VCA Animal Hospitals, o ato de girar permitia que o cão inspecionasse o terreno em busca de possíveis ameaças ocultas. Cobras, insetos peçonhentos ou pequenos roedores poderiam estar escondidos na vegetação, e o giro era uma forma de detectá-los e afastá-los antes de se deitar e se tornar vulnerável durante o sono profundo. A segurança era, e ainda é, um fator primordial.
Outro aspecto técnico desse ritual está relacionado à marcação territorial. Ao pisar repetidamente na área escolhida, o cão ativa glândulas localizadas nas almofadas de suas patas, conhecidas como coxins. Essas glândulas liberam feromônios específicos, uma espécie de comunicação química invisível que sinaliza a outros animais que aquele espaço já possui um dono. Esse instinto reforça a proteção territorial e o senso de pertencimento do cão ao seu ambiente.
Quando as voltas excessivas indicam dor ou ansiedade no pet?
Enquanto o comportamento de girar uma ou três vezes antes de deitar é considerado normal e parte do instinto ancestral, veterinários alertam para situações em que esse ritual se torna excessivo e pode indicar problemas mais sérios. Quando um cão parece inquieto, não encontra paz e realiza o movimento de forma compulsiva, isso pode ser um sinal claro de que ele está lidando com quadros de ansiedade, estresse crônico ou até mesmo dor.
Para ajudar os tutores a identificar se o comportamento das voltas excessivas requer uma intervenção profissional, é importante observar alguns critérios. A frequência com que o cão executa o movimento, a intensidade e a postura corporal durante o ato são indicadores valiosos. Um animal que gira incessantemente, parecendo frustrado ou incapaz de se acomodar, pode estar comunicando um desconforto que vai além de um simples ritual de descanso.
Doenças neurológicas e problemas de mobilidade
Em cães idosos, o aumento no número de giros antes de deitar pode estar associado a dores articulares ou desconfortos na coluna vertebral. A dificuldade em encontrar uma posição que não cause pressão em áreas sensíveis, como articulações inflamadas ou discos intervertebrais comprometidos, leva o animal a repetir o ciclo de giros em uma tentativa frustrada de alívio. Eventualmente, ele pode desistir e deitar, mas o processo de busca por conforto se torna mais longo e sofrido.
Em casos mais graves, quando o giro ocorre de maneira desorientada, em círculos muito fechados e sem um motivo aparente de busca por conforto, pode haver indícios de disfunção cognitiva ou outros problemas neurológicos sérios. Essas condições podem afetar a percepção espacial e o controle motor do cão, levando a comportamentos anormais. Nesses cenários, o acompanhamento médico veterinário torna-se indispensável para um diagnóstico preciso e para garantir o bem-estar do animal.
Monitoramento frequente para o bem-estar animal
Entender que seu pet está, em parte, honrando um instinto milenar é um passo importante para fortalecer o vínculo entre vocês. No entanto, a vigilância constante por parte do tutor é o que verdadeiramente garante a qualidade de vida e a longevidade do animal. Ao notar qualquer alteração significativa no padrão das voltas, como um aumento na frequência, na duração ou a presença de outros sinais de desconforto, é crucial procurar um veterinário.
O diagnóstico precoce de qualquer condição, seja ela comportamental, neurológica ou física, permite que o tratamento adequado seja iniciado o mais rápido possível. Isso é fundamental para que o animal possa manter uma vida elevada, livre de dores crônicas e transtornos comportamentais que afetam sua felicidade. Cuidar dos detalhes, como o ritual de deitar, é um ato de amor e responsabilidade que reflete o compromisso do tutor com o bem-estar integral de seu companheiro canino.








