Uma cadela viveu por seis anos com uma grave condição neurológica não diagnosticada, onde 95% de sua cavidade craniana era preenchida por líquido. O surpreendente achado ocorreu após o animal sofrer uma convulsão, levando a família a buscar exames em um hospital veterinário especializado. Os tutores, sem saber da gravidade, notavam apenas um comportamento um pouco desajeitado em sua pastora australiana. A revelação chocou veterinários, que constataram hidrocefalia severa.
A descoberta da condição neurológica perigosa e praticamente invisível aconteceu após seis anos de convivência com a cachorra. Exames mais detalhados, incluindo uma ressonância magnética, revelaram a raridade do caso. A imagem mostrou que aproximadamente 95% do espaço dentro do crânio da cadela era ocupado por líquido, resultado de uma hidrocefalia severa. Apesar disso, o animal havia levado uma vida considerada normal até o episódio da convulsão.
A pastora australiana, uma raça conhecida por sua inteligência e capacidade de aprendizado, apresentava comportamentos que os tutores atribuíam a peculiaridades. Eles percebiam que ela era um pouco desajeitada ou menos atenta do que o esperado para a raça. No entanto, esses indícios nunca sugeriram um problema de saúde de grande magnitude. A cadela brincava, caminhava normalmente e chegou até mesmo a ter uma ninhada de filhotes, funcionando dentro de suas limitações.
Antes da convulsão, os tutores acreditavam que havia algo ‘um pouco diferente’ na cadela, mas nada que a impedisse de ter uma rotina comum. A preocupação inicial surgiu quando exames de sangue indicaram níveis perigosamente baixos de sódio, o que demandou internação imediata. Encaminhada para a UC Davis, uma universidade de referência em medicina veterinária na Califórnia, o animal passou por avaliações mais aprofundadas.
Especialistas ficaram impressionados com a capacidade da cadela de caminhar e interagir normalmente, mesmo diante do que os exames já apontavam. A ressonância magnética confirmou a hidrocefalia severa, com uma pequena porção de tecido cerebral funcional restando. Uma imagem comparativa com um cérebro canino saudável evidenciou o contraste chocante da condição.
O organismo da cadela demonstrou uma impressionante capacidade de adaptação. Segundo os veterinários, os baixos níveis de sódio, inicialmente vistos como um problema crítico, atuavam como um mecanismo de adaptação do animal. O corpo teria ajustado o equilíbrio químico para preservar o tecido cerebral existente e manter a homeostase.
Considerando a gravidade da condição, não houve indicação de tratamentos agressivos ou cirurgias. A orientação médica foi manter a cadela bem hidratada e sob monitoramento, o que surtiu efeito positivo. Ela continuou vivendo por mais seis anos, alcançando os 12 anos de idade, até que convulsões frequentes começaram a afetar sua qualidade de vida.




