Cão expressando ansiedade durante um evento de Carnaval barulhento

Especialista em veterinária destaca perigos do Carnaval para cães devido à sensibilidade auditiva e sobrecarga sensorial

O Carnaval, com seus blocos de rua, trios elétricos e multidões, pode representar sérios riscos à saúde e bem-estar dos cães, mesmo com a crescente presença de pets nas festas. A veterinária Aline Ambrogi alerta que a exposição desses animais a ambientes festivos pode desencadear estresse intenso e agravar condições de saúde existentes.

Cães possuem sentidos mais aguçados que os humanos, especialmente a audição. Ambientes caracterizados por ruídos elevados, excesso de estímulos visuais, odores fortes e contato físico contínuo podem levar a uma sobrecarga sensorial e emocional significativa nos animais.

Sinais de estresse e desconforto em cães durante eventos festivos

É crucial que tutores estejam atentos a manifestações de desconforto em seus pets durante o Carnaval. Bocejos frequentes, a lambedura excessiva dos lábios, a postura com a cauda entre as pernas e as orelhas abaixadas são indicadores de que o animal está passando por um momento de insegurança.

Outros sinais incluem tentativas de fuga, a busca por esconderijos ou a necessidade de se aninhar no colo. Vocalizações atípicas como latidos excessivos, choramingos ou rosnados também podem sinalizar uma sobrecarga emocional.

Alterações físicas como vômitos, diarreia, salivação intensa e respiração ofegante são respostas fisiológicas ao estresse que podem surgir durante ou após a exposição a situações de aglomeração e barulho.

Perigos adicionais de fantasias, adereços e negligência de cuidados básicos

O uso de fantasias e adereços festivos em cães aumenta o risco de problemas de saúde. Roupas apertadas, tintas, glitter e colas não apropriadas para uso veterinário podem causar reações alérgicas, intoxicações e ferimentos na pele do animal.

A hidratação adequada é frequentemente negligenciada durante a folia. “Com calor, agitação e estresse, os cães precisam de acesso constante à água fresca. A desidratação pode agravar quadros de mal-estar e comprometer a saúde do animal”, explica Aline Ambrogi.

A veterinária enfatiza a toxicidade de certos produtos e alimentos para cães. “O que parece inofensivo para humanos pode ser extremamente perigoso para os cães. Tintas, colas, glitter e até alguns alimentos típicos de festas são tóxicos para os animais e não devem ser oferecidos ou usados de forma alguma”, alerta.

Recomendação: segurança e conforto em casa

Para a especialista, o Carnaval não constitui um ambiente natural para a maioria dos cães. A recomendação principal é mantê-los em casa, em um local seguro e tranquilo, com acesso a água fresca, enriquecimento ambiental e, se possível, música suave para mitigar o impacto dos ruídos externos.

Cuidar também é respeitar limites. Amor não é expor o animal a tudo, mas garantir que ele se sinta protegido e confortável.

A proteção e o conforto do animal devem ser prioridade, garantindo que o período festivo não se transforme em uma experiência traumática para os pets.

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