Microchip e castração são essenciais para a segurança, saúde e controle populacional de pets, reforçam especialistas
Diante do crescente abandono, crueldade e superpopulação de animais, a implantação de microchips e a realização de castrações se destacam como medidas cruciais para assegurar a identificação, o controle populacional e a saúde de cães e gatos. Essas ações também reforçam a responsabilidade dos tutores e a qualidade de vida dos animais.
Segundo a protetora de animais Adri Biega Xica, o microchip funciona como uma ferramenta vital para reencontrar animais perdidos, devolvendo-os aos seus lares e possibilitando a responsabilização de pessoas por atos de abandono. O dispositivo permite ainda identificar o animal e sua condição.
A médica veterinária Ana Soder complementa que o microchip, implantado sob a pele do animal por um veterinário, contém um código numérico exclusivo. Este código é associado a um cadastro detalhado com informações do pet e de seu responsável, oferecendo proteção permanente ao animal.
“A implantação de microchip é um procedimento rápido e relativamente indolor, semelhante à aplicação de uma vacina de rotina. Pode ser feita durante uma consulta veterinária de rotina e não requer anestesia. A maioria dos animais sente um desconforto mínimo e o processo termina em questão de segundos”
A profissional explica que, ao serem encontrados, animais com microchip podem ser levados a clínicas equipadas com leitores. A leitura do código acessa os dados do tutor, facilitando o retorno seguro para casa.
“Olha a importância! O animalzinho está perdido, a gente encontra, leva em uma clínica veterinária que vai ter um leitor, vai passar no corpinho desse animal, nas regiões que geralmente são inseridas o microchip, e vai entrar em uma plataforma que vai estar todas as informações”
Adicionalmente, o dispositivo funciona como uma prova de propriedade e dissuasor contra roubos, pois facilita o rastreamento. Em casos de maus-tratos e abandono, o cadastro associado ao microchip permite identificar os responsáveis pelos atos.
A implantação do microchip pode ser realizada em clínicas veterinárias particulares ou através de programas públicos gratuitos, como mutirões e campanhas de castração municipais.
Castração atua na prevenção de doenças e no controle da superpopulação
Enquanto o microchip foca na identificação, a castração aborda diretamente a questão da superpopulação, um desafio que exige reflexão e soluções eficazes, como ressalta Adri Xica. O número de animais em situação de rua excede a capacidade de acolhimento e a disponibilidade de lares.
A médica veterinária Ana Soder detalha os métodos cirúrgicos comuns. Nas fêmeas, a ovariosalpingohisterectomia (OSH) remove útero e ovários. Nos machos, a orquiectomia consiste na extração dos testículos. O pós-operatório requer cuidados como o uso de proteções para os pontos e a restrição de esforços físicos por cerca de sete a dez dias, até a remoção dos pontos.
“Os métodos cirúrgicos mais utilizados para este procedimento são ovariosalpingohisterectomia (OSH), onde ocorre a remoção do útero e ovários das fêmeas, e orquiectomia, que é a extração de ambos os testículos dos machos. Após a cirurgia, é importante que o pet utilize um macacão ou colar para proteger os pontos, e deve-se ter cuidado para que ele não faça muito esforço ou atividades físicas durante o período pós-operatório, que leva de 7 a 10 dias até a retirada dos pontos”
Além de controlar a superpopulação, a castração traz benefícios significativos para a saúde. Em fêmeas, reduz drasticamente o risco de câncer de mama, útero e ovário, além de prevenir a piometra, uma infecção uterina potencialmente fatal. Nos machos, minimiza as chances de câncer de testículo e doenças prostáticas.
Organizações e protetores solicitam apoio da sociedade para o fornecimento de lar temporário durante o período pós-cirúrgico. A superpopulação é vista como um desafio coletivo, onde a colaboração entre cidadãos e o poder público é fundamental para reduzir o abandono, o sofrimento animal e promover uma convivência mais harmônica.
A castração também contribui para a redução de comportamentos indesejados, como agressividade e marcação de território, diminuindo fugas e disputas. Isso resulta em maior longevidade e qualidade de vida para o animal.
“Evita ninhadas indesejadas, diminuindo o abandono e o número de animais errantes nas ruas; diminui a necessidade de demarcar território com urina, reduz a agressividade e a vontade de fugir para acasalar; reduz o risco de contração de doenças infecciosas transmitidas por brigas e contato sexual; animais castrados tendem a ser mais calmos e carinhosos”
Para Ana Soder e Adri Xica, microchipagem e castração representam mais do que procedimentos veterinários; são manifestações de amor e cuidado com os pets.
Prefeituras utilizam o microchip como ferramenta de controle populacional, registrando cães domiciliados, errantes ou comunitários para monitorar o número desses animais. Cães errantes castrados e microchipados retornam às ruas como animais registrados sob responsabilidade pública. Já os cães comunitários recebem cuidados diários dos moradores locais, com o poder público mantendo a responsabilidade por vacinação, socorro veterinário e castração.





