Sistema da Amazon que localiza cães gera polêmica
A Ring, empresa de câmeras de segurança controlada pela Amazon, divulgou um novo sistema de inteligência artificial chamado Search Party. A tecnologia utiliza câmeras residenciais para ajudar a localizar cães desaparecidos. No entanto, a iniciativa, apresentada em um comercial durante o Super Bowl em 2026, rapidamente gerou preocupações significativas sobre vigilância e privacidade entre os usuários.
A proposta da Ring é oferecer um recurso que auxilie tutores a reencontrar seus animais de estimação perdidos. Segundo a empresa, desde que o sistema começou a ser expandido nacionalmente nos Estados Unidos, pelo menos um cachorro teria sido localizado por dia com o auxílio da rede de câmeras. Apesar da intenção declarada, a forma como a tecnologia foi apresentada e seu potencial alcance acenderam um debate público.
Como funciona o Search Party?
O sistema Search Party opera com base na adesão voluntária dos proprietários de câmeras Ring. Uma vez ativado, o recurso compara imagens captadas em tempo real pelas câmeras com fotos de um cão desaparecido. Para isso, utiliza algoritmos avançados, treinados com milhares de vídeos, capazes de reconhecer características como raças, tamanhos, cores, marcas distintivas e outros traços físicos.
Andy Jassy, CEO da Amazon, explicou que a inteligência artificial foi treinada com dezenas de milhares de vídeos de cães para identificar diferentes características. Ele também enfatizou que a privacidade dos usuários permanece sob seu controle e que o recurso foi ampliado para permitir que qualquer pessoa nos Estados Unidos inicie uma busca através do aplicativo da Ring, mesmo sem possuir câmeras da marca. A Ring reforça que o sistema é protegido contra invasões e que nenhuma câmera é utilizada sem o consentimento explícito do usuário.
Preocupações com a vigilância
A principal crítica ao sistema reside no seu potencial de expansão e no alcance do monitoramento. Especialistas ouvidos pelo USA Today destacaram que o comercial do Search Party revelou o quão poderosas as redes de vigilância baseadas em IA se tornaram. O debate ganha força em um contexto de crescente adoção de tecnologias de monitoramento semelhantes, como câmeras de trânsito e leitores automáticos de placas, que já são utilizados por forças policiais para rastrear veículos e suspeitos.
Embora existam casos em que a tecnologia de vigilância provou ser útil, como na resolução de crimes ou recuperação de bens, a expansão do monitoramento por IA levanta questões éticas e de privacidade. A preocupação é que tais sistemas possam ser utilizados para fins além da segurança pública ou privada declarada, com potencial compartilhamento de dados com autoridades, mesmo em situações onde há restrições legais.
Reação dos usuários
Diante das preocupações levantadas, alguns usuários expressaram descontentamento, chegando a remover seus equipamentos Ring e, em casos mais extremos, a destruí-los, conforme noticiado pelo USA Today. A polêmica em torno do Search Party evidencia a complexa relação entre inovação tecnológica, segurança e a proteção da privacidade individual na era digital.







