Tosa em pets a decisão impactada pelo tipo de pelo e clima e não uma regra geral para todos os animais
A eficácia da tosa para amenizar o desconforto térmico em animais de estimação durante períodos de calor intenso é uma questão complexa e sem uma resposta única. Conforme aponta Aline Ambrogi, médica-veterinária e docente do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), a verdadeira contribuição do procedimento depende de diversos fatores, incluindo o tipo de pelagem do animal, as condições ambientais e a maneira como a tosa é realizada. A especialista ressalta que os pelos desempenham um papel crucial na proteção e no equilíbrio fisiológico dos pets, funcionando como uma barreira contra a radiação solar, variações de temperatura e outros agentes externos.
A médica-veterinária Aline Ambrogi explica que a ideia popular de que um pelo mais curto é sempre melhor para aliviar o calor não reflete a realidade fisiológica dos animais. Os pelos são essenciais para proteger contra a radiação solar, manter o equilíbrio térmico e atuar como barreira contra traumas mecânicos e agentes externos, além de serem importantes para a sensibilidade da pele e comunicação. Por isso, a simples redução do comprimento não é a solução universal.
“Os pelos vão muito além da estética; eles exercem papel essencial na proteção e no equilíbrio fisiológico do organismo. Servem como uma barreira contra a radiação solar, variações de temperatura, umidade, vento, traumas mecânicos e agentes externos e, ainda, participam da sensibilidade da pele e da comunicação comportamental dos cães. Por isso, a ideia de que ‘quanto mais curto, melhor’ não corresponde à realidade fisiológica do animal.”
A dermatologia veterinária indica que a tosa pode, sim, ser benéfica para a redução do estresse térmico, mas apenas quando devidamente indicada. Em cães com pelagem longa e contínua, um corte controlado pode melhorar a ventilação da pele, diminuir o acúmulo de calor e umidade, proporcionando maior conforto, especialmente em climas quentes e úmidos.
No entanto, para animais com pelagem dupla, a situação se inverte. Nesses casos, os fios atuam como um isolante térmico dinâmico, protegendo tanto do calor quanto do frio. A retirada excessiva compromete essa função isolante, podendo gerar mais prejuízos do que benefícios. Para esses pets, a escovação frequente é a estratégia mais recomendada para remover pelos mortos e excesso de subpelo, facilitando a troca de calor sem eliminar a barreira natural.
A periodicidade e o grau de corte da tosa devem ser definidos individualmente, considerando raça, tipo de pelo, ambiente e estilo de vida do animal. Cães com pelo longo e crescimento contínuo podem necessitar de tosa a cada quatro a oito semanas, sempre mantendo um comprimento que proteja a pele. Já para os de pelagem dupla, a recomendação é evitar a remoção completa, priorizando a escovação para manejo do subpelo.
Os perigos da tosa zero e outras práticas inadequadas
A tosa, quando bem indicada, não é prejudicial. O problema reside na prática excessiva, especialmente a chamada tosa zero. A remoção completa dos pelos expõe a pele diretamente à radiação solar, elevando significativamente o risco de queimaduras, dermatites, alterações permanentes no crescimento dos fios e até o desenvolvimento de neoplasias cutâneas. É fundamental respeitar os limites fisiológicos da pele, pois a redução drástica do comprimento pode, paradoxalmente, aumentar a absorção de calor, prejudicando a termorregulação do animal.
Cães de pelo curto geralmente não necessitam de tosa, apenas de banhos e escovação. Para os de pelo longo simples, um corte funcional pode ser vantajoso no verão. A médica-veterinária reforça que, para animais de pelagem dupla, a preservação dos pelos é essencial, e a escovação contínua é a principal forma de manejo.
Além da tosa, outras medidas são indispensáveis para garantir o conforto térmico dos pets em dias quentes. Manter água fresca sempre disponível, oferecer ambientes ventilados e sombreados, evitar passeios nos horários de pico de calor, utilizar superfícies frias ou tapetes gelados e jamais deixar o animal em veículos fechados são cuidados essenciais.
“A escovação regular e a atenção aos sinais de hipertermia também fazem toda a diferença. A Dermatologia Veterinária atual reforça que a tosa deve ser encarada como uma ferramenta funcional e de bem-estar, e não apenas estética. Quando bem planejada, pode contribuir para o conforto térmico sem comprometer a saúde cutânea”, conclui Aline Ambrogi.
A especialista enfatiza que a tosa deve ser vista como uma ferramenta de bem-estar, e não meramente estética. Quando bem planejada, pode ajudar no conforto térmico sem prejudicar a saúde da pele. A escovação regular e a observação de sinais de hipertermia também são cruciais.








