A ideia de que cães e gatos possam ter autismo tem ganhado espaço nas conversas online e gerado buscas frequentes sobre o tema. No entanto, o que dizem os especialistas? Veterinários esclarecem que, apesar da popularidade do assunto, não há comprovação científica para o autismo em pets. Comportamentos que podem ser confundidos com o transtorno geralmente indicam outras condições, como ansiedade, distúrbios comportamentais ou problemas neurológicos, especialmente em animais mais velhos. Identificar a causa real é fundamental para garantir o bem-estar do seu companheiro.
Muitos tutores se deparam com comportamentos em seus animais de estimação que levam a questionar se eles poderiam ser autistas. Sinais como isolamento social, movimentos repetitivos ou uma aparente falta de conexão com o ambiente são frequentemente associados ao autismo. Contudo, a comunidade veterinária alerta que esses indícios, embora mereçam atenção, não são definidores de autismo em animais. O que muitos encaram como autismo pode, na verdade, ser uma manifestação de outras questões de saúde que requerem diagnóstico e tratamento específicos.
Por que o termo “autismo” é popular entre tutores?
O debate sobre a possibilidade de autismo em pets ganhou força nas redes sociais, impulsionado pela semelhança de alguns comportamentos com os observados em humanos. Termos como “cachorro tem autismo”, “autismo em cães” e “gato autista” tornaram-se mais comuns. No entanto, a ciência veterinária não reconhece o transtorno em cães e gatos. O médico veterinário Rafael Rodrigues dos Santos Prudêncio, especialista em medicina felina, explica que, na prática clínica, o foco não é rotular o animal com autismo, mas sim investigar as razões subjacentes ao comportamento.
“O termo acaba sendo usado de forma popular, mas, na medicina veterinária, buscamos entender se há ansiedade, distúrbios comportamentais, dor ou alterações neurológicas por trás daquele comportamento”, afirma Prudêncio. Ele pontua que a busca por informações sobre o tema, embora parta de uma preocupação genuína dos tutores, pode levar a diagnósticos equivocados se não houver uma avaliação profissional adequada.
Sinais que podem ser confundidos com autismo
Os tutores frequentemente relatam comportamentos que levam a suspeitas de autismo em seus pets. Entre os mais citados estão:
- Isolamento excessivo;
- Recusa ao carinho ou ao contato físico;
- Comportamentos repetitivos, como girar em círculos ou lamber compulsivamente as patas;
- Sensação de que o animal está “desligado” do ambiente.
De acordo com o veterinário Rafael Rodrigues dos Santos Prudêncio, esses sinais não indicam autismo, mas exigem atenção clínica. Ele ressalta que, em muitos casos, esses comportamentos estão associados ao envelhecimento. “A maioria desses casos ocorre em cães e gatos idosos”, aponta Prudêncio. Animais mais velhos podem apresentar alterações cognitivas ou neurológicas que se manifestam de diversas formas, como troca do dia pela noite, dificuldade em reconhecer o ambiente, vocalização excessiva semelhante a choro e a tendência de ficar parado, olhando para o nada, em um estado de aparente desorientação.
Outras causas para comportamentos anormais em pets
É crucial entender que uma vasta gama de fatores pode desencadear comportamentos atípicos em cães e gatos, muitos dos quais são tratáveis e manejáveis. O veterinário enfatiza a importância de não rotular o animal e, em vez disso, buscar uma investigação clínica detalhada. “Esses comportamentos pedem avaliação veterinária, investigação de dor ou doença e ajuste de rotina e comportamento”, recomenda.
Na prática clínica, o que se observa é que a ansiedade, a falta de estímulos adequados, o manejo inadequado por parte dos tutores e a presença de dor crônica ou doenças metabólicas/neurológicas são as explicações mais comuns para tais comportamentos. Para lidar com essas questões, intervenções que podem parecer simples, como a modificação da rotina diária do pet, a implementação de um ambiente mais enriquecedor (enriquecimento ambiental), acompanhamento comportamental com profissionais qualificados e, quando necessário, a prescrição de medicação, costumam trazer melhorias significativas na qualidade de vida do animal.
A importância da avaliação veterinária
Diante de qualquer alteração no comportamento do seu animal de estimação, a orientação profissional é unânime: procurar um veterinário. Quanto mais cedo a avaliação for realizada, maiores serão as chances de identificar a causa real do problema e de implementar o tratamento mais eficaz. Isso não apenas melhora o bem-estar do pet, mas também fortalece o vínculo entre ele e seu tutor, promovendo uma convivência mais harmoniosa e saudável. Campo Grande News destaca a relevância desse acompanhamento profissional para desmistificar o tema e focar nas reais necessidades dos animais.
Para os gatos, a atenção deve ser redobrada. Rafael Rodrigues dos Santos Prudêncio observa que “são os mesmos sinais que os cães, porém os gatos são mestres em esconder sinais clínicos. Então, quando demonstram, já estão bem debilitados, principalmente quando se trata de dor”. Essa característica felina torna a observação atenta do tutor e a consulta veterinária ainda mais cruciais para a detecção precoce de problemas de saúde.






